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quarta-feira 16 outubro 2019
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O mês da mulher terminou. E agora?

O mês da mulher terminou. E agora?

O mês da mulher terminou e, com ele, as notícias, eventos e postagens em redes sociais que alertam para a discriminação de gênero ainda presente nos ambientes profissionais. É uma pena, pois, em pleno século XXI, depois de muitas conquistas já efetivadas, o fato é que ainda há muito o que se fazer na busca pela igualdade de oportunidades entre homens, mulheres e homossexuais.

Há poucos dias, um executivo brasileiro de uma multinacional foi demitido após publicar comentários misóginos no Twitter. Milton Vavassori trabalhava na base canadense da empresa Promarc Technology Corporation no Brasil – era o único da empresa na unidade no Canadá. Uma mulher havia postado a seguinte mensagem no Twitter: “Quando os homens imaginam uma revolta feminina, eles imaginam um mundo em que as mulheres governam homens como homens governam as mulheres. Não é de se admirar que eles tenham medo”. Vavassori respondeu à mensagem, comentando: “Saudade do tempo que mulher dava a b* e não opinião”. Em pouco tempo as mensagens foram encaminhadas à empresa, que, imediatamente, tomou a decisão de demitir o executivo.

A demissão de Vavassori, inevitavelmente, nos faz questionar se ele teria sido desligado da empresa se o comentário tivesse sido feito pessoalmente, sem se tornar público tão rapidamente em uma mensagem viralizada na internet. Mais do que isso: quantos comentários parecidos as mulheres continuam ouvindo em seus ambientes de trabalho, sem conseguir se rebelar?

Ora, mas por que não denunciam?

Os motivos são inúmeros. Não se pode julgar como omissa a pessoa que não reage, pois ela é regida pelo pensamento que muitas vezes a própria sociedade a impõe: o sentimento de que não adianta denunciar, porque ninguém vai acreditar nela. Muitas vezes esta eventual denúncia não encontra eco ou respaldo na empresa. Não raro, quem reclama de comentários machistas é considerada louca, radical ou, no mínimo, sem senso de humor. Enquanto isso, a discriminação se perpetua em brincadeiras discriminatórias, comentários maldosos, olhares recriminatórios e palavras ao vento que ferem, humilham, magoam e machucam. Assim, quantas mulheres engolem em seco e seguem em frente, sentindo-se impotentes em um mundo duro e carrancudo?

Qual a mulher que nunca ouviu um comentário machista no ambiente de trabalho? Quem nunca presenciou frases como “a mulher tem que se dar ao valor, não pode fazer isso ou aquilo”, ao mesmo tempo em que justificam atitudes masculinas com outras frases igualmente propagadas como “isso é da natureza do homem”? Está mais do que na hora de criarmos coragem de escancarar as situações a que tantas vezes somos expostas, na esperança de mudar essa realidade.

 




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